A artrose no joelho é uma doença bastante comum entre os motivos para consultas reumatológicas. Os variados tipos de artroses, na realidade, estão entre as principais doenças do tipo diagnosticadas no mundo. Ela é tão comum, mas, ao mesmo tempo, tão mal compreendida que muita gente pensa que é uma doença exclusiva do público mais velho.
Sim, 80% da população acima dos 65 anos sofre com o problema, mas adultos a partir dos 45 anos já fazem parte do grupo de risco. Será que você está entre uma das pessoas que têm altas chances de sofrer com a doença?
Responderemos isso mais à frente. Continue lendo para entender exatamente como a doença ocorre, quem está no grupo de risco, como ocorre o diagnóstico e o tratamento.
O que é artrose no joelho?
A artrose no joelho, também chamada de osteoartrite, é uma doença que ocorre como consequência do desgaste da cartilagem. Para entender melhor sua formação, precisamos revisar rapidamente como funciona a articulação do joelho.
Essa articulação une a parte inferior do fêmur à parte superior da tíbia através da patela, um osso redondo que permite o deslizamento articular. Lembre-se que ele é responsável por aguentar boa parte da pressão dos movimentos e o peso do corpo. Por isso, é considerado como uma das maiores e mais fortes articulações do corpo.
Para tornar todo esse movimento possível, toda a superfície articular é recoberta por cartilagem. Esse tecido gelatinoso facilita o deslizamento e diminui drasticamente o atrito entre os ossos. Com o tempo, a cartilagem torna-se ressecada e diminui sua espessura no processo que chamamos de artrose.
No entanto, vale a pena mencionar que nem todas as pessoas mais velhas desenvolvem o problema. Mesmo quem possui histórico familiar da doença pode chegar a não desenvolvê-la. Afinal de contas, existem inúmeros fatores que levam ao surgimento da condição e da dor que é sua consequência.
Quem está no grupo de risco para artrose no joelho?
A artrose no joelho é mais comum em pessoas da terceira idade, sendo que 80% desse público chegam a desenvolver algum tipo de osteoartrite. No entanto, adultos mais jovens também fazem parte do grupo de risco, especialmente, quando apresentam algum dos fatores abaixo ou uma combinação deles:
- Excesso de peso ou obesidade;
- Trabalha com movimentos repetitivos de abaixar e levantar;
- Permanece sentado por muito tempo;
- Sofreu lesões ou impactos fortes no joelho;
- Pratica esportes de alto impacto;
- Presença de outra doença reumatológica;
- Histórico familiar da doença.
As artroses são condições multifatoriais. Ou seja, não podemos assumir que uma pessoa vai chegar a ter o problema, porque possui somente um desses fatores de risco. Por isso, consultas periódicas com um reumatologista é a melhor forma de realizar um diagnóstico cedo e iniciar o tratamento.

Quem tem mais risco de desenvolver artrose no joelho?
A artrose no joelho é uma doença multifatorial, e compreender quais fatores elevam o risco de desenvolvê-la permite a adoção de medidas preventivas verdadeiramente eficazes. Esses fatores dividem-se em dois grupos: os modificáveis, sobre os quais o paciente pode agir diretamente, e os não modificáveis, determinados pela genética, pela biologia e pelo envelhecimento natural do organismo.
Entre os fatores não modificáveis, o sexo feminino merece destaque. Mulheres são mais afetadas pela doença do que homens, especialmente após a menopausa, quando alterações hormonais contribuem para a perda de proteção articular. A predisposição genética e a presença de desalinhamentos articulares congênitos, como joelho varo ou valgo, também aumentam a suscetibilidade à doença.
Fatores modificáveis que merecem atenção
A obesidade é o fator de risco modificável mais importante para a artrose no joelho. O excesso de peso corporal provoca um dano duplo: sobrecarrega mecanicamente a cartilagem e, ao mesmo tempo, o tecido adiposo produz substâncias inflamatórias que aceleram o processo degenerativo de forma sistêmica.
O tabagismo também compromete a saúde articular, pois reduz a oxigenação dos tecidos e prejudica a capacidade regenerativa do organismo. Atividades físicas de alto impacto realizadas de forma excessiva e sem orientação, bem como profissões que exigem movimentos repetitivos de flexão e extensão dos joelhos, completam o quadro de fatores que podem ser modificados para retardar o aparecimento da doença.
A atenção aos fatores modificáveis é especialmente relevante porque permite a adoção de estratégias preventivas antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas. Pacientes com histórico familiar de artrose no joelho devem redobrar os cuidados com o peso corporal, com a escolha das atividades físicas e com as visitas periódicas ao reumatologista para avaliação preventiva.
Principais sintomas
A artrose no joelho é uma frequente causadora de dor na articulação. Existem também outros sinais aos quais o paciente deve manter-se alerta, como:
- Perda de mobilidade do joelho;
- Estalos ou barulhos dos joelhos durante o movimento;
- Perda de força na articulação;
- Inchaço e vermelhidão;
- Articulação torta ou aparentemente desalinhada.
Nem todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas. Tudo depende do grau de desgaste da cartilagem e do comprometimento articular. Quando pacientes apresentam um aparente “entortamento” dos joelhos, por exemplo, é possível que exista desgaste ósseo. Ou seja, é um quadro mais avançado da doença.

Como a dor da artrose no joelho começa e evolui?
A dor da artrose no joelho costuma ter um início sutil, quase imperceptível. Na maioria dos casos, o primeiro sinal é um desconforto leve ao descer escadas ou ao levantar-se após ficar sentado por muito tempo. Esse incômodo inicial é frequentemente ignorado pelo paciente, que costuma atribuí-lo ao cansaço ou à idade.
Com o passar dos meses, a dor passa a surgir também durante caminhadas mais longas, ao ajoelhar-se ou ao agachar. Nessa fase, o paciente pode notar que o joelho apresenta leve inchaço ao final do dia, especialmente após períodos de maior esforço físico. Também pode aparecer o famoso estalo ou rangido no joelho durante o movimento.
À medida que progride, a dor deixa de ocorrer apenas durante atividades específicas e passa a estar presente até em situações de repouso. Nos estágios mais avançados, o desconforto pode se manifestar durante a noite, interrompendo o sono e comprometendo significativamente a qualidade de vida do paciente.
O círculo vicioso entre dor e imobilidade
Existe um fenômeno bastante descrito na prática clínica: a dor faz com que o paciente movimente menos o joelho afetado, e essa redução de movimento enfraquece a musculatura de suporte, o que agrava ainda mais a dor. Esse círculo vicioso é um dos maiores desafios no manejo da doença e reforça a importância de manter a atividade física orientada, mesmo diante do desconforto.
A evolução da dor na artrose é lenta, mas tende a ser progressiva quando não há intervenção. As crises vão ficando mais frequentes, mais duradouras e mais intensas com o passar dos anos, podendo chegar ao ponto em que a dor se torna contínua e limita até os movimentos mais básicos do cotidiano.
Dor mecânica versus dor inflamatória
Na artrose no joelho, a dor pode ter dois componentes distintos. A dor mecânica surge durante o uso da articulação e alivia com o repouso, sendo mais comum nas fases iniciais. Já a dor inflamatória está associada à sinovite crônica e pode se manifestar mesmo em repouso, acompanhada de inchaço e rigidez articular prolongada.
Diferenciar esses dois tipos de dor é importante porque cada um exige uma abordagem terapêutica diferente. A dor mecânica responde melhor ao fortalecimento muscular e à adaptação de atividades, enquanto a dor inflamatória pode necessitar de intervenções específicas, como anti-inflamatórios ou infiltrações articulares.
O que pode piorar a artrose no joelho?
Por ser uma doença degenerativa, a artrose no joelho tende a se agravar ao longo do tempo. Fatores, como falta de atividade física e excesso de peso, aceleram o processo de degeneração da cartilagem, agravando os sintomas.
Confira na lista seguinte os fatores mais prejudiciais para a condição:
- Excesso de peso: o sobrepeso aumenta a pressão sobre as articulações do joelho, acelerando o desgaste da cartilagem;
- Atividades de alto impacto: exercícios ou atividades que envolvem saltos, corrida intensa ou movimentos repetitivos causam estresse adicional nas articulações;
- Sedentarismo: a falta de atividade física enfraquece os músculos que sustentam a rótula, levando a uma maior instabilidade e dor;
- Lesões anteriores: como entorses ou fraturas, aumentam o risco de desenvolvimento de artroses e agravam a condição existente;
- Idade: o envelhecimento é um fator de risco significativo, já que a cartilagem se desgasta naturalmente ao longo do tempo;
- Hereditariedade: a predisposição genética influencia o desenvolvimento da artrose;
- Alimentação inadequada: uma dieta pobre em nutrientes essenciais, como ômega-3, vitaminas e minerais, impacta negativamente a saúde das articulações;
- Desalinhamento articular: como joelhos em varo ou valgo, aumentam a pressão em áreas específicas;
- Estresse: seja ele físico ou emocional, contribui para a percepção da dor, tornando os sintomas mais intensos.
Quais movimentos pioram a artrose no joelho?
Determinados movimentos sobrecarregam a articulação e agravam a artrose no joelho de forma significativa. Compreender quais são esses movimentos é essencial para que o paciente adapte sua rotina e evite acelerar o desgaste da cartilagem já comprometida.
Subir e descer escadas está entre os movimentos mais prejudiciais para joelhos artrósicos. Biomecânicamente, ao descer uma escada, a força sobre a articulação do joelho pode equivaler a até cinco vezes o peso corporal do indivíduo. Essa sobrecarga pressiona diretamente a cartilagem em processo de degeneração, intensificando a dor e a inflamação local.
Agachar-se e ajoelhar-se também exigem flexão máxima do joelho, concentrando pressão excessiva sobre a superfície articular. Essas posições são especialmente problemáticas para pacientes com comprometimento da cartilagem femoropatelar, gerando dor aguda que pode persistir por horas após o esforço.
Atividades de impacto e movimentos repetitivos
Esportes que envolvem corrida, saltos e mudanças bruscas de direção submetem o joelho a impactos repetitivos que aceleram a degeneração da cartilagem. Para pacientes com artrose no joelho já diagnosticada, a substituição dessas atividades por exercícios de baixo impacto é uma das medidas mais importantes para ajudar a retardar a progressão da doença.
Permanecer de pé por períodos prolongados, especialmente em superfícies rígidas, também aumenta a carga sobre a articulação e pode desencadear crises de dor. Para quem convive com a condição, alternar entre posições ao longo do dia, utilizar calçados com amortecimento adequado e respeitar os limites do corpo são estratégias simples que fazem diferença significativa na rotina e ajudam a preservar a funcionalidade articular.
Artrose no joelho vs. artrite reumatoide
Muitos pacientes confundem quadros de artrose no joelho com outros de artrite reumatoide. Os nomes são similares e as duas realmente são parte do grupo de doenças reumatológicas. No entanto, elas ocorrem de formas bastante diferentes no corpo.
A artrite é uma doença degenerativa crônica que afeta diversas articulações. É comum que o paciente que apresenta o problema em um dos joelhos também apresente no outro e até no quadril, coluna, entre outras regiões. Além disso, ela se desenvolve rapidamente na maioria dos casos.
A parte da articulação afetada também é diferente. Enquanto a artrose ocorre por causa do desgaste da cartilagem, a artrite é caracterizada por uma inflamação na membrana sinovial. Chamamos o quadro de sinovite, algo que causa dor aguda e intensa, muitas vezes impedindo o paciente de se mover corretamente.
O quadro de artrite reumatoide ocorre por causa de ataques do próprio sistema imunológico à membrana sinovial. Ao mesmo tempo, a artrose surge por causa de um desgaste mecânico e natural de articulações. No entanto, fique atento: é muito comum que pacientes que já foram diagnosticados com artrite depois recebam o diagnóstico de artrose.
Esse é mais um motivo para manter o acompanhamento de rotina com um reumatologista.
Causas de acordo com reumatologistas
Reumatologistas dividem a artrose no joelho em dois tipos com causas distintas:
- Primária: não possui causa conhecida. É possível que diversos fatores de risco influenciem nesses casos, porém também existem pessoas sem fatores significativos que chegam a desenvolvê-la;
- Secundária: é aquela que surge por causa de um evento específico, como ganho repentino de peso ou trauma na articulação. Outras possíveis causas incluem doenças reumatológicas e infecciosas e fraturas.

Como ocorre o diagnóstico das osteoartrites
As osteoartrites combinam a avaliação médica e exames de imagem para avaliar o dano articular sofrido. Primeiramente, o reumatologista deve avaliar se o paciente possui algum dos fatores de risco que mencionamos anteriormente, para verificar as chances da dor no joelho surgir por uma artrose.
A avaliação física permite verificar os níveis de dor e perda de mobilidade da articulação. No entanto, não é possível confirmar um diagnóstico claro somente com a avaliação clínica. Ainda é necessário fazer alguns exames de imagem, como:
- Raio-X do joelho: não permite ver o desgaste da cartilagem em si, mas mostra sinais de inflamação e possíveis danos ósseos;
- Ultrassom: permite ver os tecidos moles ao redor do joelho e identificar o grau de desgaste;
- Ressonância magnética: outro exame que permite identificar o nível de desgaste causado pela artrose.
A combinação de exames é a forma mais segura de diagnosticar qualquer tipo de reumatismo. Afinal de contas, seus sintomas podem ser confundidos com facilidade com outras doenças reumáticas e até lesões na região.
Qual é o tratamento para artrose no joelho?
A artrose no joelho é uma doença crônica, ou seja, não possui cura conhecida. Mesmo assim, o paciente consegue levar uma rotina normal, incluindo práticas laborais e atividades físicas, com o tratamento correto. Inicialmente, o médico procura aliviar os sintomas de dor e perda de mobilidade. Os analgésicos e anti-inflamatórios são parte importante dessa fase.
Também é possível combinar o tratamento medicamentoso a fisioterapia e outras técnicas. O objetivo é sempre evitar que os danos articulares fiquem piores, além de recuperar os movimentos perdidos.
Em casos mais graves, é possível que o paciente possa precisar de procedimentos cirúrgicos.
Os medicamentos para artrose no joelho têm como principal objetivo aliviar a dor e reduzir a inflamação. Os analgésicos, como paracetamol e dipirona, são indicados para casos leves a moderados, proporcionando alívio sem os efeitos colaterais dos anti-inflamatórios.
Já os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco, são prescritos para reduzir a inflamação e a dor, mas seu uso prolongado deve ser monitorado devido ao risco de problemas gástricos, renais e cardiovasculares.
Tratamento com infiltrações e uso de órteses
As infiltrações articulares são uma alternativa para pacientes que não respondem bem aos medicamentos orais. A aplicação de corticoides diretamente na articulação pode reduzir a inflamação e aliviar a dor por semanas ou meses, mas seu uso excessivo pode enfraquecer a cartilagem.
Outra opção é a infiltração com ácido hialurônico, que age como um lubrificante, melhorando a mobilidade e reduzindo o desconforto. Mais recentemente, o plasma rico em plaquetas (PRP) tem sido estudado como um tratamento regenerativo, utilizando fatores de crescimento presentes no próprio sangue do paciente para estimular a reparação da cartilagem.
O uso de órteses e dispositivos auxiliares pode ser fundamental para aliviar a sobrecarga do joelho e melhorar a mobilidade. Em casos de maior limitação, bengalas ou andadores diminuem o impacto sobre os joelhos e evitam quedas.
Opções cirúrgicas
Quando os tratamentos conservadores não oferecem mais alívio, as opções cirúrgicas podem ser consideradas. A artroscopia é um procedimento minimamente invasivo indicado para remoção de fragmentos soltos de cartilagem, podendo aliviar a dor em alguns casos.
Já a osteotomia é uma cirurgia que realinha os ossos para redistribuir a carga sobre o joelho, sendo mais comum em pacientes mais jovens. Nos casos mais avançados, a artroplastia total ou parcial, que substitui a articulação por uma prótese, é a solução definitiva para restaurar a função do joelho e aliviar a dor crônica.
Artrose no joelho tem cura ou só controle?
A artrose no joelho é uma doença crônica e, até o momento, não possui cura definitiva. Isso ocorre porque a cartilagem articular é um tecido com capacidade de regeneração extremamente limitada. Uma vez desgastada, ela não se reconstitui espontaneamente, e nenhum tratamento disponível atualmente é capaz de revertê-la ao seu estado original.
No entanto, o fato de não ter cura não significa ausência de tratamento eficaz. O objetivo terapêutico principal é controlar a dor, preservar a mobilidade e retardar ao máximo a progressão do desgaste articular. Quando bem conduzido pelo reumatologista, o tratamento permite que o paciente mantenha uma rotina funcional e ativa por muitos anos.
O que significa controle eficaz da doença
Controlar a artrose no joelho de forma eficaz envolve uma combinação de estratégias que vão além do uso de medicamentos. O fortalecimento muscular direcionado, a manutenção do peso corporal dentro da faixa adequada, as atividades físicas de baixo impacto e, quando indicadas, as infiltrações articulares com ácido hialurônico compõem o arsenal terapêutico disponível.A viscossuplementação, feita com aplicação de ácido hialurônico dentro da articulação, pode ser indicada em alguns casos para ajudar no controle da dor e melhorar a função do joelho. Esse tratamento pode retardar significativamente a progressão da doença e postergar a necessidade de intervenções cirúrgicas.
O paciente que recebe o diagnóstico deve compreender que a adesão contínua ao tratamento é o que determina o prognóstico. Abandonar a fisioterapia durante períodos de melhora ou interromper medicamentos sem orientação médica são erros frequentes que resultam em recidivas mais intensas e em progressão acelerada do desgaste articular.
Artrose no joelho pode piorar com o tempo? Entenda a evolução
Sim, a artrose no joelho é uma doença progressiva. O processo degenerativo da cartilagem começa com o amolecimento do tecido condral e avança gradativamente até a exposição do osso subcondral. Essa progressão é dividida em quatro graus que refletem a extensão do comprometimento articular.
No grau I, há apenas um pequeno amolecimento da cartilagem, geralmente assintomático ou com desconforto muito leve. No grau II, até metade da espessura da cartilagem já apresenta degeneração, e os sintomas começam a se tornar mais evidentes. O grau III marca o comprometimento de mais da metade da cartilagem, com dor frequente e limitação funcional crescente.
No grau IV, o mais avançado, ocorre a exposição óssea com contato direto de osso com osso durante o movimento articular. Nesse estágio, a artrose no joelho causa dor intensa e contínua, deformidade visível da articulação e perda severa de mobilidade que compromete a realização de atividades simples. A transição entre os graus é lenta e costuma levar anos, mas pode ser acelerada por fatores como obesidade, sedentarismo e sobrecarga articular repetitiva.
O papel da inflamação na progressão
A artrose não é apenas uma doença de desgaste mecânico. Estudos recentes mostram que a inflamação crônica da membrana sinovial desempenha um papel central na aceleração do processo degenerativo. O líquido sinovial produzido pela sinóvia inflamada adquire características diferentes do normal, prejudicando a nutrição da cartilagem e favorecendo a morte dos condrócitos, células responsáveis pela manutenção da cartilagem.
Essa compreensão ampliada da doença reforça a importância de tratar não apenas os sintomas, mas também o componente inflamatório associado. O acompanhamento regular com o reumatologista permite monitorar a evolução do quadro e ajustar a conduta terapêutica de acordo com as necessidades de cada fase da doença.
A síndrome metabólica, que combina obesidade, hipertensão, resistência insulínica e dislipidemias, também contribui para a progressão da artrose no joelho por manter o organismo em estado inflamatório crônico. Pacientes que apresentam essa síndrome têm maior velocidade de degeneração articular, o que reforça a necessidade de controle metabólico integrado ao tratamento reumatológico.
Quando a artrose no joelho precisa de cirurgia?
A cirurgia é considerada quando a artrose no joelho atinge estágios avançados e o paciente não responde mais aos tratamentos conservadores. Essa decisão nunca é tomada de forma isolada — ela resulta de uma avaliação conjunta entre o paciente e a equipe médica, levando em conta a intensidade da dor, o grau de limitação funcional e o impacto na qualidade de vida.
Antes de indicar qualquer procedimento cirúrgico, o reumatologista esgota todas as opções não invasivas: medicamentos, fisioterapia, controle de peso, infiltrações articulares e adaptações nas atividades diárias. A indicação cirúrgica só se justifica quando essas medidas deixam de proporcionar alívio adequado e o paciente enfrenta dor incapacitante persistente que compromete sua autonomia nas atividades cotidianas.
Tipos de procedimento cirúrgico
A osteotomia é uma opção para pacientes mais jovens com artrose unicompartimental, ou seja, que afeta apenas um dos compartimentos do joelho. Nesse procedimento, o osso é realinhado para redistribuir a carga articular e aliviar a pressão sobre a área mais comprometida, preservando a articulação natural.
Nos casos mais graves, a artroplastia — parcial ou total — é o recurso definitivo. Essa cirurgia substitui as superfícies articulares desgastadas por implantes protéticos, restaurando a função do joelho e eliminando a dor crônica. Os resultados costumam ser bastante satisfatórios na maioria dos pacientes, com melhora expressiva da mobilidade e da qualidade de vida.
A subcondroplastia é uma técnica mais recente que pode beneficiar pacientes selecionados. O procedimento consiste na injeção de cimento ósseo biológico em áreas comprometidas do osso subcondral, promovendo alívio da dor em casos onde o sofrimento principal tem origem óssea. Essa opção pode, em determinadas situações, postergar ou até evitar a necessidade de uma prótese articular.
O momento certo para operar
Operar cedo demais pode significar submeter o paciente a riscos desnecessários, enquanto adiar excessivamente pode resultar em perda muscular e óssea que compromete o resultado cirúrgico. O acompanhamento contínuo com o reumatologista permite identificar o momento ideal para a intervenção, quando os benefícios superam claramente os riscos envolvidos.
Após qualquer procedimento cirúrgico, a reabilitação desempenha um papel tão importante quanto a própria cirurgia. Um programa estruturado de fisioterapia, com exercícios de fortalecimento progressivo e recuperação da amplitude de movimento, é indispensável para que o paciente retome a funcionalidade plena do joelho operado e volte às atividades diárias com segurança.
A decisão cirúrgica deve sempre considerar as expectativas do paciente, suas condições clínicas gerais, a capacidade de adesão ao processo de reabilitação pós-operatória e os objetivos funcionais desejados a curto e longo prazo. Cada caso é único, e a abordagem individualizada é o que garante os melhores resultados possíveis para o paciente.
A artrose no joelho é uma condição que exige atenção contínua e uma abordagem terapêutica individualizada. Desde o diagnóstico precoce até a eventual decisão cirúrgica, cada etapa do tratamento deve ser conduzida com critério e acompanhamento especializado, buscando oferecer ao paciente as melhores condições possíveis para preservar sua mobilidade e qualidade de vida ao longo dos anos.
O que fazer para fortalecer o joelho com artrose?
Fortalecer a região afetada pela artrose é essencial para melhorar a função, reduzir a dor e prevenir a progressão da doença. Desse modo, algumas estratégias trazem resultados de curto, médio e longo prazo. Confira!
1. Exercícios de fortalecimento muscular
Agachamentos, elevações de pernas retas, extensões e flexões de perna fortalecem os quadríceps e isquiotibiais. Com o fortalecimento desses músculos, a estabilidade aumenta, reduzindo a dor e melhorando a função da articulação.
2. Exercícios de baixo impacto para artrose no joelho
A prática de atividades de baixo impacto minimiza o estresse nas articulações, enquanto promove a mobilidade. Natação, ciclismo e caminhadas em superfícies macias são excelentes opções para quem sofre de artrose no joelho, pois oferecem um treino cardiovascular eficaz, sem sobrecarregar os ossos e cartilagens.
3. Alongamento
Alongar os músculos das pernas e coxas aumenta a amplitude de movimento e previne lesões. Para isso, é recomendável realizar alongamentos antes e após os exercícios para preparar os músculos e facilitar a recuperação. Manter uma boa flexibilidade pode contribuir para um melhor desempenho nas atividades diárias e aliviar a dor nas articulações.
4. Controle de peso
O excesso de peso aumenta a carga nas articulações, acelerando o desgaste da cartilagem e agravando os sintomas. Portanto, adotar uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes e pobre em alimentos processados, juntamente com a prática regular de atividades físicas, é fundamental.
5. Fisioterapia para artrose no joelho
Um fisioterapeuta especializado em artrose no joelho pode criar um programa de exercícios personalizado, e ensinar técnicas adequadas de movimento. A orientação profissional evita lesões e maximiza os benefícios do movimento. Além disso, a fisioterapia pode incluir terapias manuais, exercícios de equilíbrio e treinamento funcional, que visam melhorar a força e a mobilidade.
6. Uso de órteses
O uso de órteses ou joelheiras pode ser benéfico para indivíduos com artrose, proporcionando suporte adicional à articulação e ajudando a aliviar a dor no joelho, permitindo que a pessoa se exercite com mais confiança. As órteses distribuem a carga nas articulações de maneira mais uniforme, reduzindo a pressão em áreas específicas e melhorando a funcionalidade do joelho.

7. Compressas quentes e frias
O calor ajuda a relaxar os músculos e aumentar a circulação sanguínea, proporcionando alívio da dor antes de exercícios ou atividades. Por outro lado, o frio reduz a inflamação e a dor após atividades físicas, auxiliando na recuperação.
Alternar entre compressas quentes e frias pode oferecer um alívio significativo, contribuindo para a melhora na qualidade de vida.
8. Suplementos
Suplementos, como glucosamina e condroitina, têm sido estudados por seus potenciais benefícios na saúde das articulações, aliviando a dor e outros sintomas da artrose no joelho. No entanto, é essencial discutir com um profissional de saúde a adequação e a dosagem dos suplementos, garantindo que sejam seguros e benéficos.
9. Manter-se hidratado
A água desempenha um papel crucial na manutenção do volume do líquido sinovial, que nutre as cartilagens e ajuda a protegê-las contra o desgaste. Incluir uma quantidade adequada de líquidos na dieta diária é uma prática simples, que pode ter um impacto positivo na saúde das articulações.
10. Evitar movimentos de alto impacto
Movimentos de alto impacto, como correr, saltar ou praticar esportes de contato, podem agravar os sintomas e acelerar a degeneração da cartilagem ao criar uma lesão por esforço repetitivo.
Optar por atividades de baixo impacto e modificar exercícios para minimizar o estresse nas articulações é fundamental. Além disso, é essencial ouvir o corpo e respeitar os limites, evitando atividades que possam causar dor ou desconforto.
Quanto tempo leva para curar artrose no joelho?
O tempo necessário para ver melhorias nos sintomas da artrose no joelho varia de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como a gravidade da condição, a adesão ao tratamento, a idade e o estado geral de saúde.
Com um plano de tratamento adequado, que pode incluir fisioterapia, exercícios de fortalecimento, controle de peso e, em alguns casos, medicações ou injeções, muitas pessoas podem notar uma redução das dores nas juntas e uma melhora na mobilidade em semanas ou meses. No entanto, o gerenciamento da artrose é um processo contínuo, e é importante manter uma rotina de cuidados para garantir os melhores resultados a longo prazo.




